O Meu Nome Não é Dante

Queen II: Faltou um filtro, mas queen é queen, não tem como

Tô tentando reescutar a discografia do Queen, minha banda favorita, esse ano. Decidi começar com Queen II, porque nunca tinha chegado a ouvir ele inteiro com calma.

Essa resenha eu também postei no Musicboard, se você quiser me seguir lá, está livre para faze-lô.

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Eu amo o Queen de paixão, mas tem algo que eu li num fórum um dia sobre a banda que é muito real e representa um pouco do que eu sinto sobre esse disco: os álbuns do Queen não tem filtro nenhum. Tudo entra, mesmo que não tenha conexão nenhuma com o resto das músicas ou que nem seja bom. Isso por um lado ajudou a discografia da banda ser extremamente diversa e única. Eu nunca diria que as músicas do Queen são parecidas demais umas com as outras ou que não são originais, coisa que acontece com, por exemplo, Amaranthe.

Apesar dessas vantagens, essa falta de filtro faz com que poucos álbuns da banda sejam realmente maravilhosos. Com todas as músicas sendo um 3.5/5 pra cima. Todos os discos tem 2 ou 3 músicas que são incríveis, os bons álbuns tem mais, mas nenhum eu diria que todas as músicas são decentes ou melhores que isso.

O mais próximo que chegamos disso, na minha opinião, foi com algo como A Day At the Races, A Kind of Magic ou A Night at the Opera (e também dizem que Sheer Heart Atack é um dos álbuns mais redondos da banda, mas eu não cheguei a ouvir o álbum inteiro com calma para formar uma opinião). E, talvez, esse álbum se aproxima desses.

Eu tava ouvindo esse álbum pela primeira vez no ônibus, por isso não prestei muita atenção nas músicas, pra ser honesto. Mas reescutando o disco agora, descobri que eu gosto bastante da maioria das músicas! Apesar do fato de que muitas músicas soam muito datadas. Eu não sei se é pela qualidade da captação dos instrumentos, ou a escolha deles em si, só sei que isso fica muito evidente em músicas como Father to Son. Não é algo que estraga as músicas, mas é definitivamente perceptível e me incomoda um pouco. Eu penso que, as músicas são boas, mas que elas seriam tão melhores se os instrumentos ou os vocais tivessem só um pouquinho mais de qualidade (qualidade de gravação, não de performance, nisso o Queen não costuma decepcionar).

Claro, isso é algo que acontece com qualquer música depois de 50 anos de lançamento. Não é uma crítica justa, você pode pensar. Mas eu penso que essa é uma situação como Mario 64 Vs. Resident Evil, no sentido de que, ambos produtos foram marcados pelas limitações tecnológicas de sua época, porém um envelheceu muito melhor do que o outro porque não tentou alcançar gráficos realistas e "bleeding-edge" que só ficaram feios depois que a tecnologia avançou. Queen II seria o Resident Evil dessa analogia.

Agora, falando um pouco mais do que eu gostei do álbum, ele mantém uma sonoridade e temática "fantasiosa", que te lembra sobre fadas, florestas mágicas e mundos fantásticos que eu amo. Além disso, dá pra ouvir como cada música é única, com uma história e contexto por trás que as tornam coisas únicas, orgânicas, e artísticas, realmente. Namoral, deem uma olhada na página da Wikipédia do álbum em inglês, que é a mais completa.

The March of the Black Queen é realmente a avó de Bohemian Rhapsody, maravilhosa. Uma das minhas músicas preferidas do álbum, junto com White Queen.

White Queen, meu Deus, vocês não tem noção do quão boa essa música fica quando você se deita no escuro em sua cama, coloca uns fones de ouvido e ouve ela com calma. Sério, ela é incrível, emotiva, tanto o instrumental pesado quanto o acústico tornam tudo perfeito e mágico.

A forma como o Freddie canta em Funny How Love Is me lembrou muito os primeiros álbuns da Rita Lee, não sei porquê. Mas não é muito boa, não.

Seven Seas of Rhye, é Seven Seas of Rhye. É uma das músicas que mais evoca essa sensação de "mundo mágico" que o álbum passa, muito boa.

No geral é isso, um álbum muito Queen, com as suas falhas e marcado pelas limitações tecnológicas da época. Mas que ainda sim se sustenta nos dias de hoje e que eu amo demais.


Tem algo a falar? Se sim, eu vou amar ouvir você em: dante404@spellbinder.anonaddy.com

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